É inegável o impacto dos últimos anos em esferas diversas nas vidas das pessoas. Afinal, ninguém estava preparado para conviver com a ameaça de um vírus desconhecido, o risco à saúde, o isolamento social, mudança para home office e tantos outros novos hábitos que precisaram ser adquiridos. 

Tudo isso, sem dúvidas, afetou o emocional e o psicológico das pessoas. Na rotina de volta ao trabalho, percebe-se que os comportamentos também sofreram alteração, o valor que os colaboradores colocam em qualidade de vida, satisfação e clima organizacional está diferente. 

A necessidade de apoio emocional torna-se cada vez mais evidente.

Dessa forma, as empresas também precisam repensar sua estrutura e sua cultura para que continuem mantendo os funcionários engajados em suas rotinas, o que configura um grande desafio para as equipes de recursos humanos e para a liderança. Vamos entender mais sobre o assunto?

O impacto na saúde mental 

Sintomas e doenças como ansiedade, depressão, estresse e até o burnout já eram conhecidos e estudados antes da pandemia, no entanto, o período de incerteza catalisou o desenvolvimento desses problemas psicológicos.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2020 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o impacto na saúde mental de trabalhadores essenciais devido à pandemia apontou que 43,7% apresentam sintomas de ansiedade e depressão no Brasil e na Espanha.

Foi divulgado pelo governo federal que, segundo um estudo epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em 15,5%. Os números são alarmantes, tornando cada vez mais necessário discutir sobre o tema e ter medidas efetivas de apoio emocional.

O que significa qualidade de vida no trabalho

Diante de um cenário preocupante e com fatores variados que impactam na saúde emocional, é comum surgir a mesma dúvida para os gestores e profissionais de recursos humanos: o que é estar bem no trabalho? 

O bem estar, de uma forma geral, é o equilíbrio entre saúde física e emocional, de forma que as atividades que precisam ser realizadas sejam feitas com o mínimo de desgaste de energia, tanto do corpo, quanto da mente. Mesmo com desafios, existe motivação para concluir tarefas.

No ambiente de trabalho, os colaboradores precisam estar seguros quanto sua qualidade de vida, deve existir propósito ao realizar as operações e processos. A falta de felicidade na rotina pode ocasionar em mudanças de humor, apatia, irritabilidade, descontentamento geral, entre outros sintomas.

Portanto, é essencial que o RH tenha atenção quanto ao comportamento dos funcionários no dia a dia, buscando identificar de forma prévia a possibilidade de insatisfações que possam reduzir a qualidade de vida no trabalho.

Vantagens obtidas por organizações que cuidam da saúde emocional

Como mencionado, a qualidade de vida é essencial e sua ausência pode ocasionar sintomas ruins para o clima organizacional e, em alguns casos, no desenvolvimento de doenças mentais nos colaboradores. Em contrapartida, organizações que se preocupam com a saúde emocional dos colaboradores têm benefícios, confira:

Melhora no relacionamento interno entre equipes

Considerando que a maioria dos colaboradores trabalham, em média, oito horas por dia, as empresas se tornam quase uma segunda casa, pois passam grande parte do tempo no ambiente e com os colegas de trabalho. 

Cuidar da saúde emocional é fundamental para que os funcionários possam desenvolver inteligência emocional e saibam lidar com os próprios sentimentos, ter empatia e lidar com conflitos. Assim, melhorando o relacionamento corporativo.

Crescimento da produtividade

Os sintomas relacionados a estresse, ansiedade e depressão afetam diretamente na concentração e na motivação das pessoas para realizar tarefas comuns do dia a dia, portanto, diminuem a produtividade de maneira geral, até no trabalho.

Contudo, quando os colaboradores recebem apoio emocional e estão satisfeitos com o ambiente organizacional, há redução significativa dos sintomas e aumento no foco, engajamento e motivação, tendendo a melhorar a produtividade e, consequentemente, os resultados.

Redução de afastamentos médicos

Doenças como depressão e ansiedade também podem levar ao afastamento médico. Durante a pandemia, houve aumento do número de afastamentos em setores variados e, sem dúvidas, a empresa como um todo tem prejuízos diante deste cenário.

A prevenção acaba sendo a melhor opção para diminuir o quadro de afastamentos, o que é vantajoso não apenas para a empresa, mas também para o próprio colaborador.

Diminuição da taxa de turnover

A preocupação da empresa com a saúde mental e emocional dos colaboradores tem sido essencial para aumentar a sensação de pertencimento, o que melhora a relação de confiança entre funcionário e organização, gerando maior engajamento.

A satisfação com o trabalho motiva o empregado a visar um futuro de carreira junto a empresa, reduzindo os índices de rotatividade e as consequências que os desligamentos geram como gastos de demissão, custo de processo seletivo e treinamento de novos funcionários.

Fortalecimento da marca empregadora

As ações relacionadas ao cuidado da saúde emocional dos colaboradores agregam na construção de uma experiência, conhecido também como employer branding, que estabelece a reputação de uma organização quanto às suas condições de trabalho oferecidas.

Um funcionário contente com sua experiência é um excelente divulgador da marca que o emprega, do negócio de forma geral. Dessa forma, a empresa se torna bem vista no mercado, podendo ser visada positivamente por investidores e consumidores.

Como valorizar a saúde mental e oferecer apoio emocional

As organizações têm grande participação na vida dos colaboradores, como mencionado, são como uma segunda casa, além de ser um pilar natural devido a importância do emprego. Ademais, as próprias empresas obtêm vantagens ao cuidar da saúde mental dos funcionários. 

Portanto, é essencial que existam ações reais que proporcionem apoio emocional para todos, desenvolvendo um bom clima organizacional. De forma geral, as ações devem estar conectadas com a cultura de cada empresa, mas confira X dicas que podem ser adaptadas:

Invista em uma comunicação aberta

O diálogo é fundamental para desenvolver um bom relacionamento entre os colegas de equipe e com a liderança. Ter uma comunicação acessível melhora o ambiente de trabalho e gera mais conforto para os colaboradores se expressarem, melhorando a confiança no trabalho.

Incentivar o hábito do feedback é importante para construir um espaço de comunicação clara, objetiva, que permita realizar correções de forma assertiva, com empatia, além de promover melhorias constantes nas atividades e valorizar os colaboradores através do reconhecimento.

Tenha líderes preparados

A liderança é o contato direto com os colaboradores e, com tantas mudanças ocasionadas pela pandemia, é essencial que os líderes recebam treinamentos adequados para saber lidar com o novo cenário e as novas necessidades apontadas pelas equipes.

A liderança precisa ser empática, ter escuta atenta, saber desenvolver os liderados, dar feedbacks e, principalmente, conhecer seus times. Assim, irão conseguir ter atitudes preventivas e ajudar o RH a formar boas estratégias de apoio emocional.

Incentive a meditação e a ginástica laboral

A meditação é uma prática que alivia tensões, diminui o estresse, aumenta a concentração e ajuda a controlar sintomas da ansiedade. Por isso, diversas empresas já estão investindo em momentos de meditação coletiva, onde os colaboradores podem optar por participar da prática.

Os exercícios físicos, de forma geral, são ótimos para a mente, auxiliando no combate e na prevenção de doenças emocionais como a depressão, pois ajudam a relaxar e melhoram o humor. A ginástica laboral é uma prática que pode trazer diversos benefícios aos colaboradores e, consequentemente, para a empresa.

Inclua terapia no pacote de benefícios

A terapia, ao contrário do que muitos pensam, é essencial para todas as pessoas, tendo uma doença emocional ou não. O apoio profissional de um psicólogo auxilia a desenvolver inteligência emocional, muito importante para lidar com os sentimentos e as situações do cotidiano. 

Uma forma de incluir o acesso a terapia para os colaboradores é através dos benefícios flexíveis. Se for incluído nas opções de benefício, o próprio funcionário pode alocar parte do valor disponibilizado para realizar as sessões, porém, é válido destacar que a empresa deve incentivar a prática, que ainda pode ser um bloqueio para muitos. 

Apoio emocional nas empresas

Ainda que as vantagens sejam claras, o movimento das organizações para promover o apoio emocional aos colaboradores é lento. Dessa forma, podendo ser um fator de destaque na atração e retenção de talentos.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Opinion Box em parceria com a Vittude, 61% dos entrevistados afirmaram que o estresse do trabalho afetou negativamente a saúde mental. Além disso, 72% apontaram que escolheriam para trabalhar empresas que tivessem programas relacionados ao cuidado emocional.

No atual contexto, é essencial que a saúde emocional não seja mais vista como atendimento de protocolo, mas sim como parte da cultura organizacional, visando oferecer um bom ambiente de trabalho para que os colaboradores tenham qualidade de vida e bem estar na rotina. 

O RH e a liderança devem estruturar um planejamento de ações voltadas ao apoio emocional para os funcionários. É fundamental que as pesquisas de clima organizacional aconteçam periodicamente para que seja possível prevenir cenários não desejados, além de medir a eficácia das ações tomadas.

Desenvolver o apoio emocional na rotina de uma organização é investir no maior recurso de uma empresa, o humano. Colaboradores que se sentem pertencentes são engajados, trazem bons resultados e impulsionam a marca no mercado.

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