NR-1 e Riscos Psicossociais: O guia completo para o RH em 2026

Pessoa do time de Recursos humanos conduzindo uma pesquisa de clima com os funcionários para iniciar as ações ligadas a nova NR-1.
Novas regras da NR-1 mudam em maio; RH e lideranças precisam trabalhar juntos para implementar mudanças

A contagem regressiva para maio de 2026 já começou. Com a atualização da NR-1, a gestão de saúde e segurança no trabalho deixa de olhar apenas para os aspectos da segurança física para focar também no que acontece na mente dos colaboradores.

O grande desafio para as empresas agora é a integração dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Não se trata apenas de uma exigência legal, mas de uma mudança de paradigma: o bem-estar mental passa a ser um indicador de conformidade e de performance organizacional.

Neste guia detalhado, vamos mergulhar no conceito de riscos psicossociais, entender o papel estratégico do RH nessa jornada e como estruturar um plano de ação que vá do mapeamento ao monitoramento contínuo.

O que são, afinal, os riscos psicossociais?

De acordo com o novo guia da NR-1, os riscos psicossociais são fatores presentes na organização e na gestão do trabalho que podem causar danos à saúde mental e física do trabalhador. Eles não são “frescura” ou subjetividade; são variáveis mensuráveis que impactam o organismo humano.

Podemos dividi-los em três grandes frentes:

  1. Conteúdo do Trabalho: Falta de variedade nas tarefas, ciclos de trabalho curtos ou fragmentados, e a sensação de falta de sentido no que se faz.
  2. Carga e Ritmo: Prazos irreais, alta pressão por entregas e regimes de trabalho que não permitem pausas adequadas para recuperação.
  3. Contexto Organizacional: Insegurança no emprego, falta de clareza sobre o papel de cada um, lideranças autoritárias e a ausência de apoio social entre colegas.

Quando esses fatores não são gerenciados, eles abrem porta para o estresse crônico, a ansiedade, a depressão e o burnout, afetando diretamente o clima e o resultado da companhia.

O papel central do RH na estratégia de mapeamento

Se antes a SST (Saúde e Segurança do Trabalho) ficava restrita a técnicos e engenheiros, a nova NR-1 coloca o RH como protagonista. É o RH quem detém as ferramentas e o histórico para realizar o mapeamento desses riscos de forma humanizada.

1. Identificação e Inventário de Perigos

O RH deve liderar o levantamento dos perigos psicossociais. Isso pode ser feito através de:

  • Pesquisas de Clima e Engajamento: Adaptadas para identificar pontos de estresse.
  • Entrevistas de Desligamento: Para entender se a cultura organizacional contribuiu para a saída.
  • Análise de Absenteísmo: Cruzar dados de afastamentos médicos com áreas específicas da empresa.

2. Avaliação de Riscos (Matriz de Risco)

Após identificar os perigos, é preciso classificar a severidade e a probabilidade de danos. Aqui, o RH atua como consultor interno, ajudando a entender quais áreas precisam de intervenção imediata.

Da teoria à prática: Condução de ações e intervenções

Mapear é apenas o primeiro passo. A NR-1 exige que a empresa tenha um Plano de Ação estruturado. O papel do RH é garantir que essas ações não sejam apenas “eventuais”, mas sistêmicas:

  • Redesenho de Processos: Se a carga de trabalho é o risco, o RH deve atuar junto aos gestores para revisar fluxos e metas.
  • Programas de Educação: Treinar as lideranças é fundamental. Um líder despreparado é um dos maiores fatores de risco psicossocial. O RH deve implementar letramento sobre saúde mental e comunicação não-violenta.
  • Apoio Psicológico e Benefícios: Implementar benefícios que facilitem o acesso à terapia e ao autocuidado é uma ação prática de controle do risco.

Os dados do Anuário de Benefícios e Práticas Corporativas da Swile mostram que 56,2% dos entrevistados citaram que a flexibilidade (usar os benefícios de acordo com seu estilo de vida) é o ponto mais valorizado em um pacote de benefícios. As empresas têm acompanhado esse desejo: a adesão a benefícios flexíveis saltou de 26,2% para 39,3% em três anos.

Mas ainda há espaço para crescimento, com possibilidade real de ganho de rendimento e melhora nos índices de satisfação dos funcionários. Um estudo realizado pela Gartner mostrou que empresas que implementam programas de benefícios flexíveis observam uma redução de 15% na taxa de turnover

Monitoramento e Acompanhamento: O cuidado contínuo

A NR-1 determina que o PGR é um processo dinâmico. O RH deve estabelecer indicadores de monitoramento para garantir que as medidas de prevenção estão funcionando:

  1. Acompanhamento de Sentinelas: Observar grupos de risco ou áreas que passaram por grandes mudanças estruturais recentemente.
  2. Feedback Constante: Criar canais de escuta ativa onde o colaborador se sinta seguro para relatar situações de assédio ou sobrecarga sem sofrer retaliações.
  3. Revisão Periódica: O mapeamento deve ser revisto pelo menos a cada dois anos (ou sempre que houver mudanças significativas no ambiente de trabalho).

Conclusão

A nova NR-1 é um convite para que as empresas evoluam. O RH deixa de ser um executor de normas para se tornar o guardião da integridade mental do time. Ao mapear riscos psicossociais com seriedade e implementar ações baseadas em dados e empatia, sua empresa não só evita multas a partir de maio de 2026, como constrói um ambiente onde todos querem trabalhar.

O futuro do trabalho é seguro, mas também é mentalmente saudável.

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Perguntas frequentes (FAQ)

Como diferenciar um conflito comum de um risco psicossocial?

Conflitos pontuais são naturais. O risco psicossocial se caracteriza pela recorrência e pela forma como o trabalho é organizado, gerando um ambiente de tensão constante que prejudica a saúde.

O RH pode fazer o mapeamento sozinho?

Embora o RH lidere, o ideal é um trabalho multidisciplinar envolvendo a liderança, o SESMT e a CIPA, quando aplicável, bem como a participação ativa dos próprios colaboradores, conforme orienta o guia da NR-1.

O que acontece se a empresa não mapear riscos psicossociais?

A partir de maio de 2026, a empresa estará sujeita a autuações da fiscalização do trabalho, além de aumentar as chances de processos trabalhistas e custos com afastamentos por doenças ocupacionais.

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