Não é exagero dizer que o departamento de Recursos Humanos é um dos mais importantes para o sucesso de qualquer empresa, tanto em curto, quanto em longo prazo.

Afinal, as práticas, métodos e ferramentas adotados pelo setor são responsáveis, entre outras coisas, pela experiência dos colaboradores, afetando diretamente sua produtividade. 

Contudo, engana-se quem pensa que os profissionais de RH lidam meramente com o gerenciamento de pessoas. Hoje, o escopo de atuação dessa área é bastante amplo, especialmente por conta do desenvolvimento tecnológico ocorrido nas últimas décadas. 

Com base em conceitos inovadores, é viável construir um ambiente de trabalho positivo em todos os sentidos. 

Para fazer isso, é preciso ficar por dentro das tendências que moldam as atividades do setor. E é aí que entra o RH 4.0, conceito surgido para definir uma nova era na gestão de Recursos Humanos. Quer saber mais sobre o assunto, entender os desafios que o aguardam e descobrir como implementar essa ideia em sua empresa? Continue a leitura!

O que é o RH 4.0 e como ele impacta o setor?

O termo RH 4.0 tem como origem aquela que é considerada por especialistas como a próxima revolução industrial.

Ao contrário das três primeiras, essa tem como elemento primordial a tecnologia, que alavanca o aumento da conectividade entre as pessoas, encurta distâncias e gera uma série de benefícios ligados aos procedimentos operacionais. 

Na realidade da gestão de pessoas e equipes, isso envolve o uso de soluções para digitalizar os processos internos, desde o recrutamento online até plataformas que incentivam o engajamento dos colaboradores, passando por análises de performance e controle de gastos. 

Destacam-se softwares e aplicativos com dados centralizados, baseados na nuvem e com recursos ligados à inteligência artificial e ao machine learning.

De forma intuitiva, é possível acessar informações sobre candidatos, acompanhar o desenvolvimento das equipes e, é claro, conferir mais autonomia aos indivíduos. 

Essa é, aliás, uma das características mais marcantes do RH 4.0. A gestão descentralizada está entre os seus pilares, representando a importância de utilizar a tecnologia para proporcionar experiências qualificadas para os colaboradores.

A revolução tecnológica, portanto, não pode perder o viés humanizado. 

Com o movimento aquecido no setor e o constante desenrolar da transformação digital, se adaptar ao RH 4.0 não é mais um diferencial, mas sim um pré-requisito para o sucesso. Continue lendo para saber mais sobre o assunto!

Afinal, o que diferencia o RH 4.0 do RH tradicional?

Antes de nos aprofundarmos nas tendências, desafios e boas práticas do RH 4.0, é preciso destacá-lo completamente do modelo tradicional que era predominante até alguns anos atrás. Para isso, é uma boa ideia começar falando sobre a origem do RH como um departamento integrante da empresa para, então, compreender sua evolução.

Os primeiros profissionais de RH surgiram com a revolução industrial. É fácil entender o motivo. Com o crescimento da exploração de mão de obra pela indústria, processos burocráticos como a remuneração e o controle das horas trabalhadas por cada operário se tornou algo mais complexo. Foi então que as grandes fábricas passaram a destacar funcionários para essas funções.

Você pode pensar o RH 4.0 como o completo oposto desse modelo. Ao contrário do RH tradicional,o RH 4.0 está focado em frentes como a atração de talentos qualificados, a melhoria do clima organizacional e outras abordagens que contribuem diretamente para os resultados estratégicos da empresa.

O RH 4.0 é essencialmente permeado pela tecnologia e está alinhado com os novos cenários do mercado de trabalho — com especial influência da geração millenial, que agora alcança posições de liderança nas organizações, e as outras que se seguiram.

As necessidades dos colaboradores mudaram

No RH 4.0 há o entendimento de que os profissionais hoje têm outras necessidades, e muitos deles recebem ofertas de trabalho de outras empresas com muito mais frequência do que há 10 anos atrás. Portanto, é necessário trabalhar pela melhor experiência, tornando o ambiente de trabalho mais atraente, menos monótono — para as gerações que nasceram imersas em tecnologia, é extremamente importante que ela esteja presente em seu dia a dia de trabalho.

Com o tradicional departamento pessoal inclinado para a gestão estratégica de pessoas, as empresas já perceberam que seu principal ativo são os colaboradores. Elas também compreenderam que a tecnologia desenvolvida por elas — ou adquirida de terceiros com bastante facilidade e a preços razoáveis — permite automatizar as atividades burocráticas.

Outro ponto que diferencia o RH tradicional do RH 4.0, é a tal transformação digital, que já mencionamos no texto. As empresas estão agora mais inclinadas a adotar ferramentas, métodos e serviços online, e essa tendência já é realidade nos departamentos de RH.

Soluções e recursos virtuais inovadores ajudam nas operações de gestão de pessoas, automatizando processos manuais e otimizando tarefas estratégicas. Da busca de talentos à gestão de desempenho, entre outros, processos burocráticos são realizados com o mínimo de intervenção humana, o que dá aos profissionais do RH mais tempo para lidar com o que realmente importa: pessoas.

Case de sucesso do RH 4.0

Não tem como escapar, né? Por mais que um texto fale sobre os benefícios e evolução de uma abordagem como essa, a melhor forma de entender sua importância é por meio de cases de sucesso. E, acredite, as histórias de sucesso no RH 4.0 são abundantes. Se você olhar para qualquer empresa líder de mercado, verá atributos que estamos discutindo nesse artigo. Separamos alguns exemplos:

Google

Não é surpresa que um dos casos mais famosos venha da Google, uma das maiores empresas do mundo. A gigante do vale do silício utiliza recursos de People Analytcs para otimizar diversos processos conduzidos pela sua área de People. Não à toa, a empresa é vista, globalmente, como um dos melhores lugares para trabalhar. Esse patamar não foi alcançado por acaso.

No início dos anos 2000, a Google identificou que processos como o recrutamento de talentos tomavam muito tempo e eram ineficientes. Para se ter uma ideia, na época, a média de entrevistas por candidato a uma vaga era 12. Um número alto demais. A partir do uso de algoritmos, a empresa compreendeu que, na quarta entrevista, já tinha todas as informações necessárias para tomar uma decisão.

Dessa forma, os dados e as análises de algoritmo substituíram as opiniões, sentimentos e intuições de seus gestores e se tornaram a base de todas as decisões centradas em pessoas. Além disso, O algoritmo desenvolvido pelo Google ajuda a equipe de recrutamento a reavaliar perfis de candidatos que não tinham sido considerados anteriormente. Isso evita a perda de bons talentos.

Mas não só da fase de recrutamento vive o RH 4.0. Em meio à própria revolução tecnológica, o Google lançou o Projeto Oxigênio, que tinha como objetivo identificar e rankear potenciais líderes dentro da companhia.

Isso envolveu uma análise detalhada dos comentários qualitativos de colaboradores em pesquisas internas, elogios e reclamações feitas em análises de desempenho, prêmios distribuídos a gestores, etc.

Com base na análise, a empresa buscava identificar gestores que com oito características consideradas essenciais para uma posição de liderança:

  • ser um bom mentor;
  • capacitar a equipe e não microgerenciar;
  • interessar-se pelo sucesso e bem-estar dos membros da equipe;
  • ser orientado para os resultados;
  • ser um bom comunicador – ouvir e compartilhar feedbacks;
  • ajudar a equipe no desenvolvimento da carreira;
  • ter uma visão/estratégia clara para a equipe; e
  • ter habilidades técnicas para aconselhar a equipe.

Philips

A Philips é um conglomerado global com base na Holanda, contando com dezenas de milhares de colaboradores mundo afora. Em uma de suas análises sobre o setor, a companhia identificou a necessidade de alavancar o aprendizado e desenvolvimento dos colaboradores. A necessidade ocorreu em uma fase em que a empresa estava se abrindo para novos mercados.

O desafio era claro: como garantir o aprendizado necessário para um número tão grande de colaboradores? Afinal, cada um tem seu ritmo e suas necessidades para alcançar o desenvolvimento almejado. A solução encontrada pela empresa foi utilizar um software de Inteligência Artificial, providenciado pela Cornerstone.

Com a plataforma, os colaboradores passaram a ter acesso a cursos, treinamentos e questionários desenvolvidos de forma personalizada. Além da inteligência do software, os próprios funcionários podem colaborar com a plataforma a partir da criação de playlists de aprendizado. Com isso, a Philips também impactou positivamente o desenvolvimento de programas internos de mentoria.

Quais são as tendências do RH 4.0? 

Sendo uma consequência direta da quarta revolução industrial, que acompanha o surgimento de tecnologias digitais, é natural que uma das principais tendências do RH 4.0 seja a digitalização de processos.

Quem não conta com um bom software de gestão para conduzir as operações internas dificilmente vai atingir todo o potencial do setor 

Dito isso, é importante entender que a questão da tecnologia está longe de ser mais importante do que o lado humano.

A ideia, como já mencionamos, é encontrar formas de usar os recursos disponíveis para otimizar o trabalho que já era feito pelos profissionais de RH. Como? O primeiro passo é entender a importância do uso de dados. 

Uso de dados nas tomadas de decisão

Por meio de um conceito chamado People Analytics, os tomadores de decisão do RH passam a contar com dados fundamentais para guiar suas ações.

A partir da coleta de informações relevantes sobre colaboradores e potenciais candidatos, é possível traçar um perfil sobre seu comportamento e performance, com indicadores para acompanhar qualquer movimentação. 

Isso ajuda na atração de talentos, que podem ser facilmente mapeados com base nas suas skills e demais requisitos relacionados a uma vaga.

Da mesma forma, ajuda na retenção de tais talentos. Centralizados, os dados de performance e satisfação podem ser facilmente acessados pelos gestores para entender como melhorar a experiência e produtividade de cada pessoa. 

Maior preocupação com inteligência emocional

Engana-se quem pensa que o crescimento vertiginoso dos recursos tecnológicos diminuíram a preocupação com o lado humano dos colaboradores. Na era do RH 4.0, a tendência é que essa questão ganhe ainda mais relevância, especialmente por conta da grande valorização de elementos de inteligência emocional. 

Isso é um reflexo da variação na forma como as empresas lidam com o público e com a comunidade que as cerca. Hoje, mais do que nunca, espera-se que uma companhia aja de acordo com valores que representem seus consumidores. Isso deu início a um processo de valorização do bem-estar geral dentro das companhias. 

Antes deixada de lado, a saúde mental é, hoje, um dos assuntos mais discutidos por gestores de diversas áreas. Não à toa, existe toda uma nova classe de benefícios que podem ser oferecidos, incluindo descontos em saúde emocional. 

Embora muito debatida, essa categoria ainda conta com grande espaço pra crescer: de acordo com o Guia Nacional de Benefícios, produzido pela Swile, apenas 21.5% das empresas investem nesse sentido. 

Descentralização da gestão

Lembra que falamos sobre chance de oferecer mais autonomia aos colaboradores? Pois bem, a implementação inteligente de tecnologia é um fator-chave para alcançar esse objetivo.

Por meio de plataformas especializadas, é viável integrar todos os membros da equipe em um ambiente de trabalho digital, onde tarefas podem ser delegadas, monitoradas e concluídas. 

Para isso, é claro, é preciso contar com uma cultura organizacional que incentive e recompense o constante engajamento dos profissionais.

Com maior responsabilidade sobre suas tarefas e diante de uma hierarquia cada vez mais horizontal, os colaboradores tendem, também, a desenvolver capacidades multidisciplinares. 

Adaptação ao trabalho remoto

Possibilidade de recrutamento digital, uso de dados nos processos decisórios e maior autonomia para os colaboradores… todas essas tendências do RH 4.0 dialogam diretamente com um novo perfil de trabalhador.

Acostumada a usar a internet para tudo, a nova geração tende a preferir empregos que caibam no modelo de trabalho remoto. 

Essa realidade, que já vinha ganhando corpo, se consolidou com a pandemia do novo Coronavírus, que obrigou empresas a adotarem o regime de home office. Graças às tecnologias que temos acesso atualmente, controlar rotinas de trabalho e integrar equipes, mesmo à distância, nunca foi tão fácil.

Por conta disso, é justo afirmar que o trabalho remoto chegou para ficar. Não estamos falando que é o fim do expediente presencial, mas certamente a possibilidade de trabalhar de casa será um fator determinante para os futuros esforços de captação de talentos

E os desafios do RH 4.0? 

Toda revolução vem com desafios e, aqui, não é diferente. Você já está por dentro das tendências do RH 4.0 e sabe como a consolidação desse conceito já está alterando a realidade dos departamentos de RH. Sendo assim, antes de nos aprofundarmos na sua implementação prática, vamos falar sobre alguns obstáculos que você deverá enfrentar. Acompanhe!

Alteração do mindset tradicional

Dependendo do segmento em que você atua, é provável encontrar certa resistência às mudanças que estão por vir.

É natural, visto que, em algumas empresas, há um conflito geracional que precisa ser superado para adaptar a cultura de trabalho ao mindset digital. Assim, um dos desafios da era 4.0 é a superação desse modelo mental. 

Para isso, é crucial investir em atividades para reforçar os valores da empresa, divulgar a importância da introdução de novas tecnologias e, não menos importante, ressaltar a ideia de diversidade, que é um ponto central para a elaboração de um ambiente de trabalho saudável e produtivo. 

Investimento em novas tecnologias

Novas tecnologias requerem investimento. Isso é claro como a água, mas nem sempre uma agência vai contar com o orçamento necessário para implementar as soluções desejadas.

O caminho, portanto, é pesquisar e buscar informações sobre os recursos que realmente causam impacto e entender como enquadrá-los na realidade da empresa. 

A boa notícia é que diversas dessas tecnologias contam com planos diversificados, com opções gratuitas ou até feitas sob medida. Assim, você pode encontrar a solução certa para a sua dor sem se preocupar em estourar o orçamento. 

Desenvolvimento de talentos e lideranças no RH 4.0

Como o RH 4.0 está longe de se restringir ao uso de tecnologia, um dos desafios que o acompanham está relacionado ao desenvolvimento de talentos e lideranças.

É preciso que, desde o primeiro dia na empresa, cada colaborador esteja ciente de que é valorizado pela gestão, o que pode ser expressado por meio de treinamentos e programas de capacitação. 

Para que os profissionais acompanhem toda a ideia de descentralização da gestão e flexibilização das rotinas de trabalho, o RH precisa tratá-los de forma humanizada, considerando suas características diversas e incentivando o surgimento de líderes

Superar tais desafios pode soar como uma tarefa complicada, mas tudo fica mais fácil se você seguir as práticas certas. Acompanhe o próximo tópico para conferir dicas nesse sentido!

Como aproximar sua empresa do RH 4.0? 

Nesse ponto, você já deve ter notado que implementar a ideia de RH 4.0 no seu setor é essencial para a manutenção da sua competitividade no mercado de trabalho, certo? Empresas bem-sucedidas nessa empreitada aproveitam não apenas taxas de retenção mais altas, como também observam um aumento na produtividade das equipes. Então, o que fazer? 

Aprimorar o uso de tecnologia

Mapear a tecnologia que você já utiliza é o primeiro passo. Identifique ferramentas e procedimentos ultrapassados e busque inovações para substituí-los.

Os investimentos precisam ser feitos de forma inteligente, de modo a realmente impactar a experiência dos colaboradores e gerar os resultados buscados. 

Como a gestão de benefícios é uma das principais atividades do RH, nada mais justo do que investir em formas de otimizar esses processos, concorda? Uma tendência em alta é a adoção de benefícios flexíveis, que, por meio de uma plataforma especializada, dão grande flexibilidade e controle aos colaboradores. 

Capacitar as equipes para a cultura digital

Ninguém nasce pronto para operar um novo sistema de gestão ou utilizar tecnologias que estão na moda. Por isso, é importante garantir que todos os membros da empresa, dentro ou fora do RH, passem pelo treinamento necessário para lidarem com as soluções que você deseja incorporar na rotina de trabalho. 

Negligenciar essa capacitação pode fazer com que o tiro saia pela culatra, já que os colaboradores vão acabar frustrados caso sintam-se incapazes de acompanhar a movimentação da empresa. E, como veremos logo abaixo, um trabalhador insatisfeito é exatamente o que você não quer em tempos de RH 4.0. 

Investir na experiência dos colaboradores

Se a experiência dos colaboradores já era importante antes do boom do desenvolvimento tecnológico, esse fator nunca esteve em tanta evidência quanto agora. Para começar, há uma competição ferrenha no mercado de talentos, que, hoje, é composto por profissionais que consideram muito mais do que o salário na hora de optar por um empregador. 

Não à toa, seleções como o Great Places to Work, que lista as melhores empresas para se trabalhar, vem ganhando tanta popularidade.

Antes de assinar um contrato, os candidatos querem saber se o ambiente organizacional é agradável, se a empresa vai permitir seu desenvolvimento e, principalmente, quais benefícios serão disponibilizados. 

De acordo com o Guia de Benefícios, que já citamos no post, os mais oferecidos são:

  • Vale refeição;
  • Assistência médica;
  • Vale transporte e mobilidade;
  • Assistência Odontológica;
  • Vale Alimentação.

Existe, contudo, uma gama de benefícios que podem ser explorados como diferencial competitivo, já que, apesar de valiosos, ainda não estão presentes na maioria das empresas. Alguns deles são: 

Esse é último é bastante interessante para o nosso contexto, já que reúne várias das principais características do RH 4.0.

Os benefícios flexíveis, como o nome indica, dão liberdade para que os colaboradores gerenciem seus privilégios de acordo com as suas particularidades. Tudo por meio de um aplicativo intuitivo, que une a humanização da gestão ao uso inteligente de tecnologia. 

Entender o RH 4.0, assim como suas tendências, desafios e aplicações, é fundamental para qualquer profissional de Recursos Humanos se preparar para o que está por vir. A tendência é a continuação da digitalização dos processos e a expansão do uso de recursos de Analytics. 

Ao aliar isso com a gestão eficaz de pessoas, a empresa vai alcançar níveis elevados de satisfação e produtividade. 

Como você viu, o gerenciamento de benefícios é um dos pilares do RH 4.0. Que tal continuar aprendendo? Confira nosso Guia Completo sobre esse tipo de gestão!

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