A internet está obcecada com as NFTs. Seja para criticar, exaltar, ou simplesmente para explicar o que são, milhares de posts abordam o assunto diariamente. Os non-fungible tokens, que nasceram com a promessa de revolucionar o mercado de arte digital, hoje geram transações milionárias e são colecionados por famosos como Neymar, Snoop Dogg e JayZ. 

Mas calma! Não estamos aqui para vender NFTs e muito menos para debater seus prós e contras. É que existe um aspecto desse fenômeno que tem chamado a atenção de RHs mundo afora. O grande valor das NFTs vem da sua exclusividade: cada peça conta com uma espécie de certificado digital que atesta sua originalidade, tornando-a única e irreplicável.  

E é aí que entra o blockchain. Já famoso por possibilitar transações de criptomoedas, o blockchain é uma base de dados descentralizada que usa a criptografia para registrar a transferência e armazenamento de diferentes informações. E, adivinha, essa tecnologia pode revolucionar os processos da gestão de RH. Quer saber mais? Continue lendo!

O que é blockchain?

A tecnologia Blockchain nada mais é do que um livro de razão pública, ou livro contábil, que registra a transação de diversos tipos de informações, incluindo as moedas virtuais. Por conta da validação de segurança dessa tecnologia, é possível rastrear cada movimentação, possibilitando, entre outras coisas, o atestado de originalidade de uma NFT. 

Funciona mais ou menos assim: o blockchain armazena as informações de um grupo de transações em blocos, marcando cada um com seu registro de tempo e data. A cada período, é formado um novo bloco de transações, que se liga ao bloco anterior.

Ou seja, a blockchain registra informações como: a quantidade de dados transacionados, quem enviou, quem recebeu, quando essa transação foi feita e em qual lugar do “livro” ela está registrada. Dessa forma, o blockchain fixa a transparência e a segurança como suas principais qualidades. .

Agora você deve estar pensando: e o RH com isso? Bem, embora o blockchain esteja amplamente associado às criptomoedas e, mais recentemente, às NFTs, seus efeitos no RH prometem ser profundos e abrangentes. Continue lendo para entender!

Como o blockchain pode impactar o RH? 

Qualquer RH que tenha a ambição de se tornar uma peça estratégica para a empresa deve focar seus esforços no uso inteligente de tecnologia, o que inclui conceitos como o People Analytics. Esse é um fato já bastante difundido, formando um dos pilares da ideia de RH 4.0. Basicamente, o termo se refere à nova era dos recursos humanos, que utiliza dados e análises inteligentes para otimizar os resultados. 

Sendo assim, é justo afirmar que os gestores capazes de se anteciparem às tendências da área criam uma vantagem competitiva para a empresa, concorda? Pois é, atualmente, uma das tecnologias que mostra maior potencial para impactar o RH é justamente o blockchain. Diversos sinais apontam para a maior utilização desse recurso nos próximos anos. 

Mas como o blockchain se encaixa na rotina do RH? Essa tecnologia pode realmente trazer mudanças positivas ou está em alta simplesmente pela moda das NFTs? Abaixo, vamos mostrar alguns pontos que podem ser impactados pelo uso inteligente do blockchain. Acompanhe! 

Processo de recrutamento

Uma das áreas de atuação do RH é o processo de recrutamento de profissionais. É um procedimento fundamental para garantir que a empresa agregue colaboradores não apenas eficientes em suas funções, mas que também apresentem um fit cultural satisfatório. Para isso, é preciso analisar inúmeros currículos, avaliar certificações, analisar documentos e muito mais. 

Hoje, esse processo ainda é consideravelmente lento. O blockchain pode ser a peça que falta para tornar tudo mais ágil.  É que a plataforma facilita o compartilhamento seguro de informações, como histórico de trabalho, documentos importantes e diplomas. Em tempos de recrutamento online, trata-se de uma verdadeira mão na roda. 

Verificação de documentos

Se você trabalha com recrutamento, sabe da infinidade de documentos que precisam ser avaliados antes de uma contratação. Acontece que, infelizmente, muitas fraudes ainda acontecem. Afinal, especialmente quando falamos de processos digitais, pode ser difícil atestar a veracidade das informações fornecidas pelos candidatos. O blockchain acabaria com esse problema. 

É que o sistema de segurança da ferramenta facilita a verificação de identidade. Essa é, aliás, o principal uso do blockchain entre os usuários mais antigos. Um estudo da CompTIA revelou que 51% desses usuários utilizam o blockchain para fins de verificação de identidade.

Aqui, o grande ponto é que, ao incluir o blockchain no processo, você tem certeza que as informações compartilhadas vêm de fontes confiáveis. Assim, é muito mais simples analisar dados referentes à experiência do candidato, sua experiência no mercado, suas referências, etc.  

Contratos “smart”

Você já ouviu falar em contratos inteligentes? Essa é outra inovação possibilitada pelo blockchain que vem sendo apontada por especialistas como tendência para o futuro. Nos Estados Unidos, aliás, muitas companhias já adotam esse modelo, especialmente as que lidam com freelancers e outros profissionais que trabalham apenas sob demanda. 

Os contratos inteligentes firmados entre um empregador e seus colaboradores permitirão que os pagamentos sejam realizados automaticamente, graças a um código que vai determinar quando e em que condições o dinheiro deve ser liberado. Essa é uma funcionalidade que faz mais sentido em relações de trabalho intermitentes.

Além de definir as condições para que o pagamento seja feito automaticamente, esse modelo dá mais segurança ao RH e evita qualquer risco de fraude ou atraso. Um ponto interessante é que os smart contracts podem ser ativados e desativados de acordo com a demanda atribuída para cada trabalhador.  

Transações mais seguras

A possibilidade de realizar transações com altos níveis de segurança é um dos atributos mais famosos do blockchain. Não é à toa! De fato, a tecnologia de criptografia torna praticamente impossível a ocorrência de fraudes ou vazamentos. Aqui, é importante notar que, quando falamos em transações, não nos limitamos às movimentações financeiras. 

No contexto do blockchain,  uma transação pode ser tudo, desde uma troca de informações pessoais, passando por histórico de trabalho, registros, detalhes financeiros e até moedas criptográficas, como a famosa bitcoin. Todo tipo de dado transferido via blockchain é protegido pelas chaves criptográficas. Ou seja, só podem ser acessados pelas partes autorizadas. 

Controle de jornada dos colaboradores

E falando em dados sensíveis, aqui vai um assunto um pouco polêmico: a prática de armazenar dados biométricos, como impressão digital e reconhecimento facial, já está em uso há algum tempo. Uns anos atrás, por exemplo, a Microsoft e a Accenture lançaram uma iniciativa para criar uma forma de identificação global, visando dar assistência a pessoas refugiadas, por exemplo. 

De forma simples, a prática consiste em catalogar os dados biométricos do maior número de pessoas possíveis e armazená-los no blockchain, disponibilizando a chave para o indivíduo em questão. Dessa forma, pessoas em qualquer lugar do mundo, mesmo em situações adversas, podem acessar suas informações para se identificar em fronteiras, receber auxílio etc. 

Mas voltemos ao RH! Existe uma discussão sobre o uso de recursos parecidos para armazenar dados dos colaboradores e, assim, controlar em tempo real as horas trabalhadas e a taxa de absenteísmo. Essa abordagem facilitaria alguns aspectos técnicos da gestão de pessoas, mas existem diversos fatores éticos que ainda estão sendo discutidos. 

Auditoria e compliance

Se o assunto do último tópico ainda gera discussão, o uso do blockchain para facilitar a auditoria e compliance já é uma prática consolidada. De acordo com o estudo da CompTIA, que já citamos ali em cima, 49% das empresas que trabalham com a tecnologia já a utilizam para esse fim. Os motivos são bem claros. 

Como visto ao longo do texto, o blockchain dá ao RH a possibilidade de contar com dados seguros, vindos de fontes confiáveis e praticamente impossíveis de vazar. Isso, por si só, ajuda a empresa a cumprir os parâmetros estabelecidos pela LGPD, que visam garantir a segurança de dados a partir de um tratamento ético e responsável. 

Assim, atividades de auditoria são fundamentais para garantir o compliance dentro do RH. Hoje, esse procedimento pode ser complexo, demandando muito tempo e organização por parte dos departamentos jurídicos. 

Com o blockchain, os dados armazenados já são previamente validados e podem ser acessados apenas por pessoas autorizadas. Esses fatores tornam o trabalho de compliance e auditoria muito mais simples de ser executado, gerando mais tempo para que as equipes envolvidas foquem em outras frentes de trabalho.

A relação entre blockchain e RH ainda está sendo desenvolvida. Não há, até agora, um consenso sobre como utilizar esse recurso da melhor forma possível, respeitando questões éticas e legais. Contudo, o que se pode afirmar com certeza é que a tecnologia tende a se tornar cada vez mais relevante. Logo, começar a pensar sobre isso é fundamental. 

E você, já utiliza o blockchain ou tecnologias semelhantes nos processos da sua empresa? Acha que o recurso pode realmente revolucionar o setor de RH? Deixe um comentário e conte para a gente!

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